{"id":141,"date":"2020-01-13T16:58:13","date_gmt":"2020-01-13T19:58:13","guid":{"rendered":"http:\/\/piscopo.med.br\/clinica\/?p=141"},"modified":"2020-01-22T14:53:44","modified_gmt":"2020-01-22T17:53:44","slug":"cirurgia-plastica-intima-e-mania-mundial-que-preocupa-ginecologista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/piscopo.med.br\/clinica\/2020\/01\/13\/cirurgia-plastica-intima-e-mania-mundial-que-preocupa-ginecologista\/","title":{"rendered":"Cirurgia pl\u00e1stica \u00edntima \u00e9 mania mundial que preocupa ginecologista"},"content":{"rendered":"<p>L\u00e1bios vaginais recauchutados e outros retoques na genit\u00e1lia feminina n\u00e3o podem ser facilmente exibidos como peit\u00f5es de silicone ou barriguinhas lipoaspiradas. Mesmo assim, s\u00e3o o \u00faltimo fen\u00f4meno no card\u00e1pio moderno das interven\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas.<\/p>\n<p>Excesso de pl\u00e1sticas inspira mural da diversidade genital<br \/>\nRiscos da cirurgia \u00edntima incluem redu\u00e7\u00e3o da sensibilidade<br \/>\n\u2018A vagina n\u00e3o \u00e9 bonita, d\u00e1 para ficar melhor\u2019, diz modelo que fez cirurgia \u00edntima<\/p>\n<p>Nos EUA, s\u00e3o feitas mais de 1,5 milh\u00e3o de cirurgias \u00edntimas. No Reino Unido, 1,2 milh\u00e3o. No Brasil, m\u00e9dicos apontam um crescimento de 50% nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/f.i.uol.com.br\/folha\/equilibrio\/images\/12240274.jpeg\" alt=\"Um dos pain\u00e9is que comp\u00f5em o &quot;Grande Mural da Vagin&quot;, do artista pl\u00e1stico ingl\u00eas Jamie McCartney\" \/><\/p>\n<p>O ginecologista Paulo Guimar\u00e3es \u00e9 expert em \u201cdesign vaginal\u201d. D\u00e1 cursos de forma\u00e7\u00e3o em cosmetoginecologia para m\u00e9dicos. Nos treinamentos, diz, 900 mulheres s\u00e3o operadas por ano, a pre\u00e7os menores. No consult\u00f3rio, \u201ccom atendimento personalizado e sigilo\u201d, afirma fazer 15 cirurgias \u00edntimas por m\u00eas.<\/p>\n<p>O cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico Marcelo Wulkan, que atende em S\u00e3o Paulo e tem trabalhos sobre redu\u00e7\u00e3o de l\u00e1bios vaginais em publica\u00e7\u00f5es internacionais, diz fazer cem desses procedimentos por ano.<\/p>\n<p>Mesmo m\u00e9dicos mais conhecidos por outros tipos de cirurgia, como implantes mam\u00e1rios e pl\u00e1stica de nariz, est\u00e3o vendo a procura crescer.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos dois anos, passei de uma cirurgia \u00edntima para tr\u00eas por m\u00eas\u201d, conta Eduardo Lintz, chefe de cirurgia pl\u00e1stica do hospital HCor, de S\u00e3o Paulo, e professor do Instituto Ivo Pitangui, no Rio. No total, Lintz faz cerca de 40 cirurgias pl\u00e1sticas mensais.<\/p>\n<p><strong>TAMANHO-PADR\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Como n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que os l\u00e1bios vaginais cresceram nos \u00faltimos anos, especula-se que o aumento de cirurgias redutoras esteja ligado \u00e0 uma nova busca de medidas genitais \u201cpadr\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>E o que \u00e9 uma vagina normal? Assim como as estat\u00edsticas brasileiras sobre cirurgia \u00edntima, as medidas s\u00e3o imprecisas. \u201cIsso \u00e9 um pouco subjetivo. Quando o l\u00e1bio menor n\u00e3o ultrapassa 2 cm de largura pode ser considerado normal\u201d, diz Wulkan.<\/p>\n<p>Est\u00e1 longe de ser consenso. Segundo estudo no \u201cBritish Journal of Obstetrics and Gynaecology\u201d, a diversidade de tamanhos observada nos l\u00e1bios vaginais da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 imensa, o que amplia o espectro de normalidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/f.i.uol.com.br\/folha\/equilibrio\/images\/12240276.jpeg\" alt=\"Para a modelo ga\u00facha Andressa Urach, a vagina n\u00e3o \u00e9 bonita e d\u00e1 para ficar melhor\" \/><\/p>\n<p>O mesmo estudo aponta que trabalhos anteriores definiram como acima do normal l\u00e1bios com mais de 4 cm de largura, mas essa medida deve ser revista e ampliada.<\/p>\n<p>Quando os l\u00e1bios menores ultrapassam os maiores, a tend\u00eancia \u00e9 serem considerados candidatos \u00e0 cirurgia. Mas n\u00e3o se trata de uma imperfei\u00e7\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 constitucional, a mulher nasce com essa caracter\u00edstica, como nasce com um nariz grande\u201d, diz Lintz.<\/p>\n<p>No entanto, o que \u00e9 natural j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o normal.<\/p>\n<p>Imagens de nus femininos, reportagens e material did\u00e1tico criam o modelo de normalidade, diz a antrop\u00f3loga Thais Machado-Borges, do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Estocolmo, Su\u00e9cia.<\/p>\n<p>No estudo \u201cUm olhar antropol\u00f3gico sobre a m\u00eddia, cirurgia \u00edntima e normalidade\u201d, ela diz que as mulheres consideram atrativas as formas que correspondam a esse modelo, criadas por t\u00e9cnicas cir\u00fargicas. \u201cSer\u00e1 que essas cirurgias podem transformar zonas er\u00f3genas em \u2018paisagens\u2019 onde reina o prazer?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>Como em rela\u00e7\u00e3o a narizes, peitos e bundas, o padr\u00e3o est\u00e9tico muda conforme a \u00e9poca e o pa\u00eds. \u201cNos EUA, as mulheres querem vagina pequena, cor-de-rosa. As brasileiras querem no mesmo tom de pele do das m\u00e3os, com l\u00e1bios de 1 cm a 1,5 cm\u201d, diz o ginecologista Paulo Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o modelo imagin\u00e1rio do \u00f3rg\u00e3o de menininha, o formato \u2018sou virgem&#8217;\u201d, interpreta a psic\u00f3loga Rachel Moreno.<\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia alerta seus membros sobre riscos dessa onda.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso muito cuidado para mexer em locais com tantas termina\u00e7\u00f5es nervosas. As cirurgias \u00edntimas s\u00e3o vendidas como solu\u00e7\u00f5es para dificuldades sexuais, mas, se voc\u00ea mexer onde n\u00e3o era para mexer, voc\u00ea piora o que era para melhorar\u201d, diz Gerson Lopes, presidente da comiss\u00e3o de sexologia da entidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e1bios vaginais recauchutados e outros retoques na genit\u00e1lia feminina n\u00e3o podem ser facilmente exibidos como peit\u00f5es de silicone ou barriguinhas lipoaspiradas. Mesmo assim, s\u00e3o o \u00faltimo fen\u00f4meno no card\u00e1pio moderno das interven\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas. 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